Movimento Cultural Sambelê
dezembro 9th, 2009 | Publicado em ouvir | 3 Comments
Por Felipe Melhado
Tamborim, atabaque de candomblé e repique de anel nas rodas londrinenses
Boa parte do samba londrinense veio, quem diria, de Bela Vista do Paraíso. No final da década de 70, vários sambistas da cidade vizinha vieram pra cá com seus batuques e se juntaram com uma turma um pouco mais antiga, cujo principal agitador era o veterano Tigrão. Durante a década de 80, o Bar do Tigrão era o reduto mais efervescente daqueles que curtiam escutar e dançar o samba de raiz.
“Mas eu sou da terceira geração de sambistas de Londrina”, conta Wilsinho Soler. “E aqui, parece que a minha é a última que ainda tem um respeito pelos chamados sambas da velha guarda”. Foi com essa inquietação que, há 5 anos, Wilsinho chamou alguns músicos mais próximos e resolveu montar um grupo. Logo depois do primeiro show, a cantora Joyce Cândido veio com um nome: Sambelê. Começou aí um esforço para apresentar ao público sambas que Wilsinho considerava esquecidos. Pérolas da década de 20 e 30, samba de quadra, partido alto. Com 6 integrantes fixos e desde o início contando com participações especiais, o Sambelê começou sua trajetória. Hoje o grupo conta com 11 músicos e se apresenta pelo menos uma vez ao mês no Paiol Bar e Petiscaria Mineira.
“O pior já passou”, conta Wilsinho. “No começo pensavam que a gente queria tocar pagode, não aceitavam a gente nos bares. Mas hoje conseguimos um respeito. As pessoas começaram a gostar de ouvir nosso som de raiz e as histórias de sambistas que contamos. Tentamos fazer um trabalho pra passar essa cultura adiante.”
No mesmo ano em que surgia o Sambelê aqui em Londrina, lá em São Paulo, o sambista T Kaçula também tinha uma idéia. Queria formar um grupo para mapear e trocar experiências sobre a história do samba e suas peculiaridades nas várias regiões do Brasil. Surgia o Movimento Terreiros do Brasil. “Ele me ligou aqui em Uberlândia e fizemos a primeira reunião já em 2004”, diz Rodrigo Santiago, um dos fundadores do movimento. A idéia era criar núcleos de pesquisa e produção de samba em diversos estados, buscando uma maneira de identificar as características do gênero em cada parte do Brasil e, ao mesmo tempo, propor uma interação entre elas.
Por intermédio de Luís Carica, londrinense residente em Uberlândia, o Sambelê foi convidado para participar do projeto. “A gente falou pra eles sobre a nossa ideia de manter viva a cultura e a história do samba, e eles nos disseram que não podíamos mais ser só um grupo. Daí que alteramos o nome pra Movimento Cultural Sambelê”, lembra Wilsinho.
Desde então o grupo desenvolve uma pesquisa informal, resgatando a ainda breve história do samba londrinense e se comunicando com os grupos dos outros 6 estados associados ao Terreiros do Brasil: Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco e Santa Catarina.
“A nossa produção ainda é incipiente”, admite Rodrigo. Em razão da distância, o movimento sofre uma dificuldade para fazer todos os núcleos se reunirem e trocarem as experiências e, pelo mesmo motivo, ainda não conseguiu instituir-se juridicamente como uma ONG ou Associação. “Mas o primeiro passo foi dado: ainda em janeiro do ano que vem vamos lançar um CD que vai contar com a participação de todos os grupos”, conta Rodrigo. “A partir daí queremos começar a publicar aquilo que já pesquisamos e realizar mais reuniões”.
Enquanto isto, o Sambelê vem fazendo seu trabalho por aqui. “Temos grandes personagens do samba londrinense que estão vivos, e eles estão sempre juntos com a gente”, conta Wilsinho. “Quando a gente chama eles de velha guarda, eles acham até ruim porque são bem jovens, na faixa dos 50 anos”.
Para Wilsinho, este intercâmbio com os grupos do Terreiros do Brasil deve ser muito bom para fortalecer a cena local que, segundo ele, está muito bem representada. “Aqui temos grupos muito bons. Dá pra destacar o Leandro Almeida, o grupo Nova Opção, que já existe há 13 anos, e o Mucungê, por exemplo”, avalia.
O próximo show do Movimento Cultural Sambelê está marcado para a madrugada do dia 10 de dezembro, como parte da programação da Virada Cultural Funcart. E o Wilsinho avisa: “A nossa roda está sempre aberta para músicos que queiram tocar um samba de raiz com a gente”.



dezembro 9th, 2009at 8:39(#)
[...] This post was mentioned on Twitter by Paula Cantieri, arotativa. arotativa said: Bom dia! Conheçam o Movimento Sambelê http://bit.ly/61ZHvA [...]
dezembro 10th, 2009at 8:35(#)
samba lele ta doente ta coma ca beça quebrada samba lele precisava é de umas boa palmadas samba samba samba samba olele
janeiro 2nd, 2010at 12:30(#)
sambelê e mucungê são os melhores de Londrina !