Coletivo para Todos

março 2nd, 2010  |  Publicado em agir, recentes  |  1 Comment

Por Carlos Angelo

Sinceramente espero que este texto não demore tanto quanto a espera de um coletivo na cidade de Londrina. E por que não generalizar? Penso nos aspectos que os famigerados coletivos têm e só encontro pontos negativos. A longa espera, a incerteza do horário, a lotação, o odor dos corpos amontoados sob o sol escaldante. Convido a todos a filosofar junto à animação “O Paradoxo da Espera do Ônibus”, que segue abaixo, com Direção de Chirstian Casille.

Aquela roleta ridícula, mostrando o quão incivilizados a empresa de transporte acha que os usuários são. Sobre isso gostaria de dar um exemplo simples porém oportuno. Em Buenos Aires os 80 centavos de peso são depositados numa máquina sem a presença do cobrador, muito menos de uma roleta ou catraca.

Peço licença para reinvindicar, apesar do meu peso pena, o acesso das pessoas obesas, tanto para passar na roleta como para sentar nos bancos, apesar da Ergonomia insistir no acesso e no conforto de todos os usuários. Retomo os pontos positivos e negativos do busão.

Sou obrigado a calar a boca diante de tamanha audácia e perspicácia no uso dos pontos positivos do coletivo. “Ladrões roubam ônibus para arrebentar caixa eletrônico” (veja a matéria completa em Londrix). Essa foi a manchete de um evento ocorrido em maio de 2007, que ainda me tira boas risadas. E eu aqui com meu pensamento pequeno esperando mais um ônibus lotado.

Outro fato que me veio ao conhecimento por colegas que moram em Londrina a mais tempo, foi o assalto ao Banestado, que ocorreu em 10 de dezembro de 1988, no aniversário da cidade. Essa foi uma das vezes em que Londrina alcançou a rede nacional de TV. Na época cogitou-se até como sendo esse um crime político. Nas mãos de Domingos Pellegrini, um dos jornalistas que cobriu o evento (ou melhor, o crime), a história tomou proporções de livro-reportagem. Resumindo a história. Além dos milhões exigidos pela quadrilha, teve espaço um pedido um tanto quanto mundano: um coletivo – nada mais justo.

Dessa afinidade, que se encontra entre ônibus e eventos públicos, desenvolveram-se duas produções interessantes sobre o mesmo tema com  objetivos e linguagens diferentes. Ambas tinham como alvo o sequestro do Ônibus 174 no Rio de Janeiro. Analisar as produções audiovisuais não é o alvo principal do texto, e sim o fato de atuar em coletivo, de estar num coletivo. Quais são as afinidades e objetivos que os passageiros têm em comum? Cada qual com seus problemas, distorções, prazeres. A que ponto pode chegar uma interação em coletivo? Pervertidos totalmente desconhecidos usam de sua anonimidade para interagir com o coletivo. Costumo pensar na força e na fluidez do coletivo, da massa, da multidão. O coletivo como um ser sem conhecimento de sua potencialidade e afinidade, se restringisse ao indivíduo e ao individual.

É nítido o gosto que os donos do poder tem pelo coletivo individualizado, os assentos divididos e a passagem absurdamente cara. A ebulição nervosa de um coletivo se acotovelando sob um sol de 40 graus em busca de um objetivo em comum é a cena perfeita do pesadelo de qualquer chefe do poder. Assim encerro o texto com uma frase bem simples.

- Barbosa Bundão abaixa o Busão!!!

Créditos:

Ilustração e fotografia por Carlos Angelo

Fontes:

Análise do documentário Ônibus 174

Assalto à brasileira


Responses

  1. Dr.Quark says:

    março 11th, 2010at 7:38(#)

    Coletivo, coletividade a jesuis tem até peça de teatro que aconntece dentro de coletivo… espaço obrigatorio no exercicio dessa nossa pseudo democracia…feliz é o dono da frota que circula de iate pelas praias de fortlauderdalle em miami beach…

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